Produtor de camarão do Ceará prepara projeto de criação sustentável em sistema de recirculação de água para atender ao mercado americano
O empresário cearense André Luís Penha de Sena, 40, prepara um passo inédito em sua trajetória: expandir sua produção de camarão para os Estados Unidos com um modelo tecnológico voltado à sustentabilidade. Natural de Aracati (CE) e com mais de duas décadas dedicadas à carcinicultura, ele pretende instalar uma unidade com sistema de recirculação de água (RAS), que reduz drasticamente o consumo hídrico e garante maior biossegurança.
A ideia surge em um contexto de forte demanda internacional. Mais de 90% do camarão consumido nos EUA é importado, grande parte de países asiáticos com sistemas produtivos questionados pelo uso de antibióticos e pelo impacto ambiental. Sena aposta em oferecer um produto premium, com rastreabilidade blockchain e certificações internacionais como BAP e ASC, buscando atender a um consumidor cada vez mais atento à procedência e qualidade do alimento.
“Estamos diante de uma transformação sem volta. O consumidor quer saber de onde vem o produto, se é saudável e se respeita o meio ambiente”, afirma o empresário, que iniciou na atividade aos 14 anos, trabalhando com o pai em Fortim, no litoral do Ceará. Em 2014, montou sua própria fazenda em Parajuru, município de Beberibe, e desde então ampliou a produção.
Além da carcinicultura, Sena diversificou sua atuação. É gerente administrativo da JE Pescados, empresa processadora de camarão, e proprietário da Gelo Guajiru, fornecedora de gelo para fazendas e embarcações de pesca. Também foi vereador em Fortim por dois mandatos, chegando à presidência da Câmara Municipal em 2011.
Os desafios enfrentados ao longo da carreira incluem surtos virais que afetaram o setor — como o IMNV (vírus da mionecrose infecciosa) e o WSSV (vírus da mancha branca) —, além de questões ambientais e de mão de obra. Ainda assim, o setor no Brasil mostra expansão: a produção nacional de camarão passou de 84,3 mil toneladas em 2013 para 180 mil toneladas em 2023, segundo dados da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), da qual Sena é associado há mais de uma década.
O projeto nos Estados Unidos prevê uso de sensores IoT para monitorar a qualidade da água em tempo real, automação da alimentação e inteligência de dados para prever surtos de doenças. A operação deve adotar energia renovável como fonte primária, reforçando o pilar sustentável do negócio. “Não se trata apenas de vender camarão, mas de criar um modelo replicável, sustentável e economicamente viável”, resume Sena.
