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Por Alexandre Pegoraro, CEO do Kronoos, plataforma especializada em automação de diligência e análise de riscos

Ao refletir sobre o futuro do compliance em 2026, percebo que estamos em meio a uma transformação estrutural significativa nessa área. O que antes era visto como uma mera formalidade se transforma em um pilar estratégico essencial para as organizações. Observo que o foco do compliance está mudando, deixando de ser apenas o cumprimento de regras para se tornar um elemento central na gestão de riscos, na transparência e na governança corporativa.

Análises recentes do Thomson Reuters Institute levantam questões importantes sobre os principais riscos de compliance que enfrentaremos nos próximos anos. O uso crescente de tecnologias emergentes, como inteligência artificial e criptoativos, junto com as preocupações sobre privacidade de dados e relatórios ESG, está redesenhando o cenário.

A complexidade das regulações e a sofisticação dos riscos exigem que adotemos controles mais eficientes, fundamentados em tecnologia e na análise avançada de dados. É um claro sinal de que os modelos tradicionais e genéricos não são suficientes para lidar com as exigências atuais.

Nesse novo contexto, a integridade se transforma em um atributo operacional vital. Tanto reguladores quanto investidores desejam entender como identificamos, avaliamos e tratamos riscos no dia a dia, com registros claros e decisões rastreáveis. Essa visão me faz perceber a importância de redefinir o papel do compliance dentro das organizações. O uso inteligente da tecnologia, como ferramentas automatizadas de análise, pode minimizar a subjetividade e fortalecer a governança. Tenho visto um crescimento acentuado na adoção de tecnologias de RegTech, que utilizam inteligência artificial e machine learning para apoiar auditorias, due diligence, monitoramento de terceiros e gestão contínua de riscos. Os dados mostram que mais de 60% das áreas de compliance consideram a tecnologia essencial para a sustentabilidade de seus programas.

Outro aspecto que me chama a atenção é a gestão de terceiros. Relatórios globais são claros ao apontar que uma parte significativa dos incidentes de compliance tem origem em fornecedores ou parceiros. Nesse sentido, sinto que é crucial desenvolver soluções que monitorem alterações societárias, sanções e litígios, a fim de prevenir passivos ocultos e perdas financeiras.

A importância dos canais de denúncia também não pode passar despercebida. Eles deixaram de ser meramente um requisito normativo e começaram a ser avaliados por sua efetividade. Em minha experiência, um canal de denúncias bem estruturado não apenas demonstra diligência, mas também reduz os riscos de responsabilização por omissão, mesmo quando a denúncia não se confirma.

Além disso, noto um movimento crescente em direção à integração entre compliance e critérios ESG. Questões ambientais, sociais e de governança começam a influenciar decisões de crédito, investimentos e acesso a novos mercados. Empresas que não incorporarem esses critérios de forma consistente em seus programas de integridade provavelmente enfrentarão restrições em suas relações comerciais.

Em minha avaliação, compliance já não é visto apenas como um custo defensivo. Ele se torna um componente central da estratégia corporativa. As organizações que investirem em tecnologia, governança de dados e processos claros estarão mais preparadas para crescer de forma previsível e sustentável. Um compliance bem estruturado, na verdade, não representa um obstáculo aos negócios — é um facilitador de confiança e longevidade.

Ao olhar para o futuro, percebo que o que temos pela frente são desafios que exigem inovação e adaptação. A capacidade de navegar por esse novo cenário será um diferencial competitivo para aquelas empresas que estiverem dispostas a se reinventar e a incorporar a cultura de compliance em todos os níveis de suas operações.

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